Ser mentor – dicas & traços de um bom mentor
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O mentoring, nas suas premissas, baseia-se principalmente na relação e no compromisso das duas pessoas do par. Cada parte tem os seus papéis e as qualidades necessárias para os cumprir. O Mentee deve estar comprometido, de mente aberta, desejoso de aprender sobre si próprio, crescer e mudar o seu comportamento. E o Mentor? Pois bem, é isso. Este é o tema que abordarei neste artigo, centrando-me nas características que um bom mentor deve ter e em dicas para conduzir o processo de mentoring perfeito.
Em resumo
- Um bom mentor combina conhecimento profundo da área com abertura para partilhar conhecimento e dar feedback honesto.
- A mentoria eficaz exige competências de coaching: escuta activa, feedback construtivo e apoio na definição de objetivos.
- Os Mentores devem dedicar tempo e ser fiáveis—sessões regulares, preparação e acompanhamento sustentam o progresso.
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Quem é um Mentor – definição básica
Já escrevemos várias vezes neste blogue sobre o que é o mentoring e quem é um Mentor. Se ainda não leu, convido-o em especial a dois textos: o que é mentoring e qual é o papel de um Mentor.
Em síntese, o mentoring trata principalmente do desenvolvimento activo e consciente do Mentee, e o papel do Mentor é acompanhar esse desenvolvimento.

Os mentores devem participar, ou apenas acompanhar, esta jornada, não conduzir o mentorado pela mão. O comportamento do mentor consiste principalmente em apoio, atenção, escuta, fazer perguntas, analisar, tirar conclusões, dar feedback.
Um mentor é também uma pessoa que é um especialista na área que está a ser mentorada. Ele ou ela possui conhecimentos e anos de experiência, que partilha com o mentorado durante o processo.
Assim, na prática, por um lado, o mentor é um especialista na sua área. Por outro lado, é também um acompanhante, ou indo mais longe – um coach – no desenvolvimento do mentorado. Estes dois papéis definem, em última instância, as qualidades e traços desejáveis num bom mentor / bom mentorado.
Quais são então as qualidades de um bom mentor / bom mentorado?
Com base nos papéis mencionados acima, as qualidades de um bom mentor podem ser consideradas em três áreas:
- no que diz respeito a conhecimento da área e à vontade de o partilhar.
- em termos de consciência e oficina de coaching,
- e muito frequentemente em conciliar a mentoria com outras obrigações.
Conhecimento e experiência do mentor
Esta é uma característica-chave na mentoria. Uma característica que diferencia claramente a mentoria do coaching.
Primeiro de tudo, portanto, o mentor deve possuir conhecimentos avançados e anos de experiência nas áreas em que o mentorado pretende desenvolver-se.
Mas isso não é tudo.
- Um bom mentor deve também ser aberto, honesto e disposto a partilhar esse conhecimento. Porque de que serve ao mentorado esse conhecimento se ele for ocultado, inacessível ao mentorado.
- Uma característica desejável num mentor é também a motivação que advém de ajudar os outros e o desejo de desenvolver a outra parte. Isto ajuda certamente a reforçar a sinceridade e abertura acima mencionadas.
- O mentor deve também estar ciente dos seus próprios pontos fortes e fracos tanto nas competências interpessoais como na sua especialização.
- E por fim, esta expertise de conhecimento deve ser organizada, ponderada, não caótica. Normalmente estas qualidades surgem com mais anos de experiência numa área específica, mas nem sempre. Um bom Mentor também deve prestar atenção a isto.
Workshop de coaching e/ou liderança
A segunda área das qualidades de um bom Mentor toca nesta parte de “coaching” da mentoria. Trata-se da capacidade de acompanhar o mentorado no seu desenvolvimento, orientá-lo/a e motivá-lo/a a conhecer-se a si próprio(a), a definir os seus próprios objetivos, a planear o seu desenvolvimento e a seguir um percurso planeado.
Esta é a área que diferencia a mentoria da formação, do aconselhamento ou da tutoria.
Acima de tudo, o Mentor precisa de estar ciente de o que é a mentoria e de que papéis deve assumir e quais deve evitar.
Quando souber isto, deve desenvolver ainda qualidades tais como:
- A capacidade de autoavaliar-se, analisar pontos fortes e fracos, definir objetivos para si próprio, mas, o mais importante, para os outros.
- Abertura, honestidade ao dar feedback, mas também a capacidade de tornar o feedback menos avaliativo e mais construtivo, motivando a mudança.
- Comunicação, atenção, estar presente com o mentorado. Compreender as suas necessidades, escuta ativa.
- Aprofundamento, desconstrução, questionamento. Esforçar-se por abrir mais caixas mentais.
- Familiaridade com mentoria ou técnicas de coaching e a vontade e capacidade de as utilizar. Exemplos de tais técnicas incluem perguntas de coaching, técnicas de definição de objetivos, ou ferramentas mais avançadas para trabalho criativo, análise dos próprios pensamentos, crenças, etc..
Estas qualidades estão muito alinhadas com o coaching, mas em grande medida aplicam-se simplesmente ao trabalho de liderança ou de gestão. Um bom Mentor é ou alguém com experiência em coaching ou um líder experiente que tenha participado conscientemente no desenvolvimento dos seus subordinados.
Disponibilidade de tempo e compromisso
Um bom mentor é, antes de mais nada, um especialista na sua área. Para manter esse estatuto, deve trabalhar constantemente e ganhar experiência. Por isso, na maioria das vezes os mentores são pessoas cuja ocupação principal não é a mentoria, mas trabalho especializado. Para eles, a mentoria é geralmente uma atividade adicional, um desejo de seguir outros objetivos, procurar novas motivações ou simplesmente um alargamento consciente da perspetiva.
Neste âmbito, uma característica importante de um bom mentor é a capacidade de conciliar estas duas tarefas. E é aqui que chegamos a:
- Disponibilidade de tempo – isto é, simplesmente a capacidade de arranjar tempo para o processo de mentoria. A mentoria costuma durar vários meses e envolve sessões com uma frequência de 3 a 4 semanas. O mentor deve, portanto, prever a necessidade de reservar em média 2 a 5 horas por mês por processo.
- Respeito pela outra parte – aqui refiro-me sobretudo à questão de não remarcar reuniões já agendadas e de preparar as sessões.
- Compromisso – atenção plena durante as sessões de mentoria e responsividade mútua entre sessões.
Desenvolvimento adicional do Mentor
As características descritas acima esgotam, em grande parte, o tema do que um bom Mentor deve ser na fase inicial. Naturalmente, numa fase posterior do desenvolvimento da prática de mentoria entram em jogo outras áreas, que resultam tanto da aquisição contínua de conhecimentos sobre mentoria e das técnicas utilizadas, como da experiência de conduzir os próprios processos.
Uma característica dos bons mentores avançados, com muitos anos de experiência, é também, pelo menos, um conjunto de referências – feedback dos seus mentorados ou acreditações obtidas (por exemplo, na organização EMCC).
Boa sorte!