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Qualquer pessoa pode ser mentor? Fatos e mitos sobre a mentoria

Uma situação semelhante ocorre em muitos programas de mentoria. Uma organização começa a recrutar mentores, e alguns candidatos potenciais nem sequer consideram a possibilidade de se candidatarem. A razão? Muitas vezes, não se trata de falta de experiência, mas sim da convicção: «Ainda não sou suficientemente bom para ser mentor.»

Algumas pessoas imaginam um mentor como alguém com mais de uma década de experiência profissional, que ocupa um cargo de chefia e tem uma resposta para todas as perguntas. Outras partem do princípio de que, para apoiar o desenvolvimento dos outros, é preciso ser um especialista reconhecido em toda a organização ou no setor.

Em muitos programas de mentoria, pessoas que inicialmente não tinham a certeza de serem adequadas para o papel acabam por revelar-se excelentes mentores. Curiosamente, isto também é confirmado pelos dados do nosso relatório sobre experiências de mentoria nas organizações. Uma proporção significativa dos mentores que utilizavam o Mentiway estava a desempenhar esta função pela primeira vez. Apesar disso, relataram níveis muito elevados de satisfação com a sua participação em programas de mentoria. Até 96,55% dos participantes afirmam que recomendariam a mentoria a outras pessoas e 94,15% acreditam que vale a pena implementar a mentoria na sua organização. Isto demonstra que um mentor eficaz não precisa de ter muitos anos de experiência nesta função. Uma atitude positiva, a vontade de aprender e o desejo de apoiar o desenvolvimento dos outros revelam-se muito mais importantes.

Então, qualquer pessoa pode ser um mentor? A resposta não é totalmente clara. Nem todos serão ótimos mentores desde o primeiro dia. Ao mesmo tempo, muito mais pessoas têm potencial para assumir esse papel do que normalmente imaginam.

De onde vem o mito do «mentor perfeito»?

Muitos mal-entendidos resultam de uma interpretação errada do próprio conceito de mentoria.

É frequentemente confundido com formação, aconselhamento ou consultoria especializada. Se encararmos a mentoria desta forma, poderemos de facto concluir que um mentor deve ser alguém que sabe tudo e tem sempre a melhor solução.

O problema é que o mentoring moderno funciona de forma diferente. Um mentor não toma decisões pelo mentorado nem dá instruções pré-definidas. O seu papel é apoiar o processo de desenvolvimento, ajudar o mentorado a encarar os desafios sob uma nova perspetiva e partilhar a sua própria experiência de forma a reforçar a independência da outra pessoa.

É precisamente por isso que a experiência é importante, mas não é o único fator — nem mesmo o mais importante — que determina a eficácia de um mentor. Na prática, a eficácia de um mentor depende da combinação da experiência com competências específicas de mentoria. Entre as mais importantes estão: a vontade de apoiar os outros, a disponibilidade e a prontidão para reuniões regulares, a motivação para partilhar conhecimento e a experiência numa área relevante para o mentorado. Igualmente importantes são as competências de comunicação, a escuta ativa, a capacidade de fazer perguntas, de dar feedback construtivo e de apoiar o mentorado no desenvolvimento de soluções de forma independente. Atualmente, as organizações estão a investir cada vez mais na preparação de mentores para desempenhar esta função — mesmo indivíduos com vasta experiência profissional nem sempre possuem automaticamente as competências necessárias para conduzir conversas de desenvolvimento eficazes.

Se quiser compreender melhor em que medida a mentoria difere de outras formas de desenvolvimento profissional, não deixe de ler o nosso artigo sobre o que é a mentoria.

O que é que realmente determina se alguém será um bom mentor?

A experiência profissional é, sem dúvida, importante. É difícil imaginar a orientação sem a oportunidade de partilhar os conhecimentos adquiridos ao longo da carreira, as observações resultantes de várias situações profissionais ou as reflexões sobre erros do passado.

O conhecimento especializado, por si só, não costuma ser suficiente. Na prática, os mentores mais eficazes destacam-se principalmente pela forma como trabalham com os outros. Sabem ouvir sem julgar, têm uma curiosidade genuína pela perspetiva do mentorado e não partem do princípio de que sabem imediatamente a resposta para todos os problemas. Em vez de se apressarem a oferecer soluções, ajudam a organizar os pensamentos, a analisar a situação sob diferentes ângulos e a definir um plano de ação por conta própria.

Os bons mentores também compreendem que o crescimento não se resume apenas ao sucesso. É por isso que estão dispostos a partilhar não só as suas conquistas, mas também os erros, os fracassos e as experiências difíceis que moldaram a sua forma de agir.

É por isso que, em muitas organizações, não são apenas os executivos ou os membros do conselho de administração que se revelam excelentes mentores, mas também profissionais experientes, líderes de equipa e especialistas na matéria. Pode também ler mais sobre as competências de um mentor neste artigo.

Um mentor precisa de ter mais experiência do que um mentorado?

Na maioria das vezes, sim, mas nem sempre.

Na mentoria tradicional, o mentor tem normalmente mais experiência na área em que o mentorado pretende trabalhar. No entanto, isso não significa que o mentor tenha de ser mais experiente em todos os aspetos da vida profissional. Cada vez mais organizações estão agora a implementar programas de mentoria inversa, o que demonstra que o valor de um mentor não decorre apenas da idade ou do cargo. Nesses programas, os colaboradores mais jovens partilham os seus conhecimentos sobre novas tecnologias, inteligência artificial, tendências sociais e as expectativas das gerações mais jovens. Os seus mentorados são frequentemente líderes experientes que pretendem compreender melhor o mundo do trabalho em constante mudança.

Isto demonstra que a questão fundamental não é «Quem tem mais anos de experiência?», mas sim «Esta pessoa possui os conhecimentos, a experiência ou a perspetiva que possam ser valiosos para a outra parte?» Se estiver interessado neste tema, não deixe de ler o nosso artigo sobre mentoria inversa e a sua aplicação nas organizações.

Os mentores também crescem através do processo de mentoria

Um dos maiores mitos sobre a mentoria é a crença de que apenas o mentorado beneficia com ela. Na verdade, em programas de mentoria bem geridos, ambas as partes envolvidas crescem.

Os mentores salientam frequentemente que as conversas com os mentorados lhes permitem ver as suas próprias experiências sob uma nova perspetiva, organizar os conhecimentos que adquiriram ao longo dos anos e compreender melhor os desafios enfrentados por outros colaboradores. Isto é também confirmado por estudos realizados junto de mentores e líderes que participam em programas de mentoria. Estes indicam que através da mentoria, desenvolvem, entre outras coisas, a capacidade de ouvir ativamente, fazer perguntas, conduzir conversas de desenvolvimento, construir relações baseadas na confiança e dar feedback. Estas são competências extremamente valiosas não só na mentoria, mas também no trabalho quotidiano de gestão e liderança. Por esta razão, muitas organizações consideram a função de mentor como um dos passos na preparação para funções de liderança de maior responsabilidade.

O próprio processo de mentoria também desenvolve competências que são extremamente importantes em funções de liderança. Conduzir conversas de desenvolvimento, ouvir ativamente, fazer perguntas e construir relações baseadas na confiança são competências que mais tarde se traduzem no trabalho quotidiano com as equipas.

Não é por acaso que um número crescente de organizações considera a participação num programa de mentoria como um elemento fundamental para o desenvolvimento de futuros líderes. Os mentores referiram frequentemente o desenvolvimento das suas próprias competências, uma maior satisfação em trabalhar com pessoas e a oportunidade de refletir sobre as suas próprias experiências como alguns dos benefícios mais importantes da participação no programa. Pode saber mais sobre este tema no nosso relatório.

É possível aprender a ser um mentor?

Esta é uma das perguntas mais frequentes feitas por pessoas que estão a pensar participar num programa de mentoria pela primeira vez.

A resposta é: sem dúvida que sim. É claro que certas características pessoais ajudam. As pessoas que têm uma mente aberta, que demonstram curiosidade pelos outros e que gostam de partilhar as suas experiências costumam adaptar-se mais rapidamente a esta função. No entanto, isso não significa que a mentoria seja apenas uma questão de talento inato.

Tal como se pode aprender a gerir uma equipa ou a fazer uma apresentação, também se pode desenvolver as competências de mentoria.

Isto aplica-se, entre outras coisas, a:

  • realizar sessões de mentoria,
  • trabalhar com objetivos de desenvolvimento,
  • construir uma relação de mentoria,
  • fazendo perguntas abertas,
  • dar feedback,
  • apoiando a independência do mentorado.

É precisamente por isso que cada vez mais organizações estão a optar por ministrar formação aos mentores antes mesmo do início do programa. Isto ajuda os participantes a compreender melhor o seu papel e a evitar erros comuns, como dar conselhos em excesso ou assumir a responsabilidade pelas decisões do mentorado.

Como podem as organizações apoiar os mentores?

Mesmo os mentores mais dedicados precisam das condições certas para desempenhar o seu trabalho.

Nas organizações que adotam uma abordagem estratégica à mentoria, o apoio não se limita a encontrar os participantes certos e a formá-los em pares. É igualmente importante fornecer aos mentores as ferramentas, os materiais e o apoio organizacional adequados. Desta forma, os mentores não têm de se preocupar com a forma de conduzir a primeira sessão, como trabalhar com objetivos ou onde encontrar inspiração para futuras reuniões. Se quiser saber mais sobre como dar um bom início à mentoria, não deixe de ler também este artigo.

Na Mentiway, mentores e mentorados têm acesso a uma extensa base de conhecimento, técnicas de mentoria, materiais educativos e ferramentas para apoiar todo o processo. A plataforma também ajuda a acompanhar o envolvimento dos participantes, a concretização dos objetivos e o progresso do programa de mentoria.

Isto é especialmente importante para as pessoas que estão a dar os primeiros passos na área da mentoria e querem sentir-se mais confiantes no seu novo papel.

Resumo: Qualquer pessoa pode ser um mentor?

Se há uma coisa que deve ficar na sua memória deste artigo, é esta:

Um bom mentor não precisa de ser alguém que saiba a resposta para todas as perguntas.

O que importa muito mais é se conseguem ouvir, construir uma relação baseada na confiança e apoiar o crescimento da outra pessoa, partilhando a sua própria experiência. É claro que nem todos serão ótimos mentores logo na primeira sessão. No entanto, a maioria das competências de mentoria pode ser desenvolvida, e uma preparação adequada, aliada ao apoio da organização, aumentam significativamente as hipóteses de sucesso. Por isso, em vez de se perguntar se já tem experiência suficiente, vale a pena fazer a si mesmo uma pergunta diferente:

Está disposto a dedicar o seu tempo, atenção e conhecimentos para ajudar outra pessoa a crescer?

É frequentemente aqui que começa uma orientação eficaz.

Como é que os mentores podem ser preparados de forma eficaz para assumir o papel de mentor?

Se está a planear lançar um programa de mentoria na sua organização, é importante garantir não só que os participantes sejam emparelhados de forma adequada, mas também que os mentores estejam devidamente preparados.

Na Mentiway, apoiamos as organizações em todas as fases do programa de mentoria — desde a conceção do processo e a formação dos participantes até ao fornecimento de ferramentas para a definição de objetivos, o acompanhamento do progresso e a avaliação do programa.

Contacte-nos para saber como podemos ajudá-lo a implementar um programa de mentoria baseado nas melhores práticas.

Perguntas frequentes: Qualquer pessoa pode ser mentor?

Um mentor tem de ser um especialista na sua área?

Não. O conhecimento especializado é importante, mas as competências interpessoais — como saber ouvir, fazer perguntas e estabelecer relações — são igualmente importantes.

Quantos anos de experiência deve ter um mentor?

Não existe um número certo. O mais importante é ter uma experiência que seja valiosa para o mentorado e estar disposto a partilhá-la.

Os jovens podem ser mentores?

Sim. Especialmente em programas de mentoria inversa, em que os colaboradores mais jovens apoiam líderes mais experientes em áreas específicas.

O mentor também recebe orientação?

Sim. Os mentores desenvolvem as suas competências de comunicação, liderança e orientação, e adquirem novas perspetivas através das conversas com os seus mentorados.

Vale a pena formar os mentores antes do início do programa?

Sem dúvida. A formação ajuda-o a compreender melhor o papel de um mentor, a evitar erros comuns e aumenta as hipóteses de sucesso de todo o processo de mentoria.